NALY DE ARAUJO LEITE

NALY DE ARAUJO LEITE
FALSA DEMOCRACIA

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

CONCURSO PÚBLICO - AMBIGUIDADE - LEIA:OPINIÕES DISTINTAS SOBRE O TEMA.

ENTENDA TUDO SOBRE AMBIGUIDADE FONTE:- http://umnovojeitodeensinarportugues.blogspot.com.br/

A ambiguidade pode ser usada para obter um efeito de sentido no receptor. Se ela for produzida de forma involuntária e não tiver essa finalidade como recurso textual, será considerada indevida e inadequada por dificultar a compreensão do texto pelo interlocutor.
Para obter coesão e coerência é preciso, portanto, evitar essa ambiguidade, causada por pontuação imprópria, por problemas de construção textual e por emprego de palavras com mais de um sentido, que podem gerar, de forma não intencional, mais de uma possibilidade de interpretação. Veja este exemplo: 

O computador tornou-se um aliado do homem, mas esse nem sempre realiza todas as suas tarefas.
O sentido da frase ficou ambíguo, porque as palavras esse e suas podem referir-se tanto a "computador" quanto a "homem". Tanto este quanto aquele podem não realizar o seu trabalho por completo.
Para que não ocorra ambiguidade, pode-se escrever essa frase assim:
O computador, apesar de ser um aliado do homem, não consegue realizar todas as tarefas humanas.
O exemplo que eu dei poderia ter sido encontrado em qualquer blog que tivesse como objetivo falar sobre os avanços na área de tecnologia. Para evitar que isso ocorra, observe alguns casos frequentes de ambiguidade, que podem ser problemáticos, e os sentidos possíveis de cada frase:
a)  Problemas com o uso de pronomes possessivos
Raquel preparou a pesquisa com Sílvio e fez sua apresentação. (Raquel fez a sua apresentação ou a de Sílvio?)
•  Raquel e Sílvio prepararam a pesquisa, e ambos fizeram a apresentação.
•  Raquel e Sílvio prepararam a pesquisa, e ele fez a apresentação dele.
•  Raquel e Sílvio prepararam a pesquisa, e ela fez a apresentação dela.
b)  Problemas com o uso de pronomes relativos
Visitamos o teatro e o museu cuja qualidade artística é inegável. (É o teatro ou o museu que possui qualidade artística?)
• Visitamos o teatro e o museu, os quais têm qualidade artística.
• Visitamos o teatro e o museu, e aquele tem qualidade artística.
• Visitamos o teatro e o museu, e este tem qualidade artística.
c)  Colocação inadequada de palavras
O cliente aborrecido recusou o vinho por causa da safra. (O cliente era aborrecido ou ficou aborrecido naquele momento?)
• O cliente recusou aborrecido o vinho por causa da safra.
• O cliente, que era aborrecido, recusou o vinho por causa da safra.
d)  Sentido indistinto entre agente e paciente
A recepção dos noivos foi no salão do clube. (A recepção foi oferecida pelos noivos ou eles foram recepcionados?)
• A recepção foi oferecida pelos noivos no salão do clube.
• Os noivos foram recepcionados no salão do clube.
e)  Uso indistinto entre o pronome relativo e a conjunção integrante
O motorista falou com o passageiro que era gaúcho. (O motorista era gaúcho ou o passageiro?)
• O motorista disse que era gaúcho ao passageiro.
• O motorista conversou com o passageiro gaúcho.
f)   Problemas com o uso de formas nominais
O pai viu o filho chegando em casa bem tarde. (Quem chegou em casa bem tarde: o pai ou o filho?)
• O pai viu o filho que chegava em casa bem tarde.
• O pai, ao chegar em casa bem tarde, viu o filho.
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COMENTÁRIO DA AUTORA DO BLOG: NALY DE ARAUJO LEITE
Se é para atingir um público, ambiguidade tem que ser direcionada e não acidental ou ocasional (verbal);isso é comunicação.
Se é um texto de novela, teatro, comédia, ela tem que ser escrita tecnicamente, com cuidado e recursos próprios e falada pelo autor, assim, escritor e personagem, atingem o público (escrita e expressão);isso é comunicação.
Não se deve restringir ou subestimar inteligências.
Não se deve limitar interpretações;
Não se deve eliminar subjetividades;
Não se separa o humanos do técnico na arte de escrever.
Antes da faca de dois gumes, o homem das cavernas se comunicava.

Publicações, que detonam o uso da ambiguidade, dentro do critério de análise de texto, me levou a uma dúvida em relação a importância da ambiguidade,eu, particularmente, não sobrevivo sem uso de figuras de linguagem, sejam de sons, construtivistas, palavra e pensamento, incluo ambiguidade, polissemia, a mula sem cabeças, o gato de botas e tudo mais.
Desconsiderar a ambiguidade, digamos a lexical, e desde já, minhas considerações são outras, e um personagem que era extremamente culto e crítico desta "avareza contra ambiguidade lexical", temos programas de tv,cujos personagens ganham vida com ambiguidade:
Marcelo de NóbregaExplicadinho / Xorãozinho"Eu gosto das coisas muito bem explicadinhas nos seus míííínimos... detalhes! Mas prossiga..."Professor Explicadinho irrita as pessoas com as suas perguntas, ao exigir explicações detalhadas. / Paródia do cantor Xororó.
 

Raphael VélesMarilha Gabi / Paulinho"Porrrque?" / "Você é lesado hein!"Paródia da apresentadora Marília Gabriela. / Garoto que gosta de fazer perguntas de duplo sentido e não larga do minigame enquanto fala.


Na linguagem jurídica "não se recomenda a linguagem estrutural,lexical, gramatical ambígua, mas nossas leis estão cheias de lacunas, e a interpretação das leis leva a uma ambiguidade quando postula jurisprudências todos os dias. Essas jurisprudências se geradas por analogia, ou por outros juízos realizados nos compõe a ambiguidade pela possibilidade de analogia.

E para endossar, sou extremamente crítica aos textos das últimas décadas de materiais escolares de Língua Portuguesa das Escolas Públicas, cujos textos, sem a presença técnica da ambiguidade lexical em seus escritos, tem suas interpretações determinadas pelos autores, de forma " recursável, discutível" , suas construções para respostas dos exercícios deixam margens a dúvidas, quando exigem mais do alunos, não seja puramente cópia de determinados parágrafos.

Os grandes filósofos usavam da ambiguidade para suas discussões que originaram os princípios filosóficos que permeiam, hoje, nossas ciências filosóficas.

Então, quando em um Programa de Concursos, se exigem conhecimentos em AMBIGUIDADE, com certeza, eles querem um candidato que tenha conhecimentos a nível médio que, com certeza, sua maturidade, vivência escolar e prática da matéria não são suficientes para entender que, é para que seus textos, suas petições, tenham uma qualidade técnica que seu nível médio é insuficiente para suprir, praticamente.

E as "AGÊNCIAS DE CONCURSOS" não estão preocupadas em esclarecer aos concursandos que  pagam R$ x vlor, a questão, e nem discutir com o (a) contratante do Poder Público.

Os decorebas da escola, fixação de memória dentro da restrição imposta e reforçada pelos sistema capitalista,seletivo, cruel e desumano de CONCURSOS PÚBLICOS, urge no tempo, é EMPREGUISMO.

EMPREGUISMO não gera bons funcionários, mesmo os primeiros colocados, e o povo continua sofrendo nas mãos do sistema, porque é o povo que será atendido por aquele (a) aprovada.

Os Programas para Concursos restringem, totalmente, as possibilidades dentro do exercício daquela função, e são pré-seletivos, para um grupo minoritário engendrado no esquema, pensantes do mesmo circulo.

QUE CIRCULO?
Passou? É emprego. Assina o ponto, faz que faz e tudo bem, principalmente se o salário for mais ou menos, e o 

GRANDE ARGUMENTO:
Você é criativo, tem uma maneira diferente de ver e escrever, quer atingir o público ou receptor de forma diferente, está fora dos padrões, se torna uma AMBIGUIDADE NA PRÓPRIA AMBIGUIDADE CONCURSAL.
MARGEM PARA NÃO RECURSOS, quem tem extensão de análise????
IMPROVISÃO DE RECURSOS, porque esses, já estão previamente prontos em serem retrucados dentro de argumentações técnicas, pela AGÊNCIA, e jurídicos, pelo Departamento ou Assessoria Jurídica, pois tal prática poderia sugerir o que resultaria em FRAUDES E ABUSO DE PODER.
Imagina "dentro de um critério tão refinado as escolhas e eliminações realizadas", se reúnem antes, e decidem a quais empossam depois, já ouviram falar?
Eliminação através de articulação? Imperceptível!!!!
Vi eleições acontecerem desta forma. VERDADE!

É assim que estão ocorrendo concursos no Brasil.
Deixa dar um exemplo bem simples:

CONCURSO "X". ENSINO MÉDIO. 01 VAGA. 
VENCIMENTO:R$ 2.000,00
NOSSA! 2000,00?
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: AMOR, PAIXÃO, ÓDIO, IRA, PERDÃO, RIQUEZA, blá,blá,blá
etc.....etc......

Entenderam?

QUEM PENSOU ASSIM, LEVANTA AS MÃOS.... PARA OS CÉUS.....DIGAM:AMÉM!!!!!!

Não estou levantando dúvidas sobre nenhum concurso.
O que estou fazendo, então?
Analisando 01 (um ) item de Programas de Concurso para ensino Médio.
Tem FIGURAS DE LINGUAGEM NESSE PROGRAMA?
TEM, mas temos quatro grupos de figuras de linguagem, não foi especificado, portanto, qualquer um deles poderá ser imensamente explorado.

Por que AMBIGUIDADE TÁ LÁ NO COMEÇO E FIGURAS DE LINGUAGEM NO FINAL?
Porque FIGURAS DE LINGUAGEM facilitam a COMUNICAÇÃO ENTRE EMISSOR E RECEPTOR, principalmente, quando receptores são pessoas simples, do povão, aproxima as pessoas, com certeza, quem está orientando está correspondendo a exigências, e esse RECURSO é fim último   daquele cargo que será exercido.

Mas e se for um cargo que exija muita comunicação?

Então esse Programa tem o intuito de FORÇAR CUMPRIR HIERARQUIA.
Um toque ditatorial, na Administração Pública, SEGURANÇA para uma linha dividindo aproximações humanas 
em demasia.

Assim, você, antes de se inscrever, saberá NO QUE ESTÁ ENTRANDO, COM QUE TERÁ QUE COOPERAR, A QUE SE SUJEITARÁ E SE ENTRAR NO DESAFIO, PROBABILIDADES DE GANHAR OU DESISTIR.

PRECISA DE TESTE VOCACIONAL?
NÃO, PRECISA DE RESPEITO E VERDADE.
BRASILEIRO TEM QUE SER ISENTADO DE TAXAS COMO EXAMES DA ORDEM DOS ADVOGADOS, CONCURSOS PÚBLICOS,TEM QUE TER FACULDADE PARA TODO MUNDO DE GRAÇA E ACABAR COM ENEM.
NÃO PRECISA BARRAR ATRAVÉS DE ENEM ALUNO "QUE NÃO SABE NADA", PORQUE NÃO VAI RESOLVER, ISSO DEVERIA TER SIDO VERIFICADO DURANTE O TEMPO DELE NOS ANOS LETIVOS, REGISTROS DE HISTÓRICOS ESCOLARES, NOTAS.
COMO ENTRAR NA FACULDADE?
ATRAVÉS DOS PEDIDOS E SOLICITAÇÕES DOS ALUNOS DE VAGAS ÀS FACULDADES E ANÁLISE DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO COM AS UNIVERSIDADES DOS HISTÓRICOS ESCOLARES.

VOU ENDOSSAR MEUS ESCRITOS, QUANTO A IMPORTÂNCIA DA AMBIGUIDADE, NÃO SOMENTE EU, PENSO ASSIM. NALY DE ARAUJO LEITE

CONFIRAM: https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/sem-ambiguidade-nao-ha-literatura-1661055



Sem ambiguidade não há literatura

O escritor espanhol Javier Cercas está de volta. O autor do magnífico Soldados de Salaminaaventurou-se desta vez por uma história de jovens delinquentes nos anos da transição espanhola da ditadura para a democracia. Um romance duro e comovente em que mistura todos os géneros, como num “cocido madrileño”.
"Os livros não existem sem os leitores. São eles que fazem os livros" DANIEL ROCHA
“E se eu não tivesse sido um adolescente tímido e pedante, se por algum motivo tivesse cruzado então a fronteira da cidade e me tivesse juntado a um dos muitos bandos de delinquentes que havia naquela época?” Esta foi a pergunta que o escritor espanhol Javier Cercas (n. 1962) se colocou e que serviu de mote à escrita do romance As Leis da Fronteira, recentemente publicado pela Assírio & Alvim.
Javier Cercas passou toda a infância e a adolescência em Girona, e fez dessa cidade, no ano de 1978, o palco do seu novo livro. “Eu era um rapaz da classe média e não sabia o que existia para lá do rio, que era a fronteira do nosso bairro, aquilo era terra incógnita”, contou ao Ípsilon. “Um dia levaram-me ao outro lado do rio, e de repente vi que aí viviam milhares de pessoas, emigrantes como eu [a família mudara-se, por razões econômicas, da Extremadura para a Catalunha quando ele tinha 4 anos], que falavam castelhano como eu, não o catalão, e que viviam na miséria. Era um mundo completamente diferente do meu, que estava a 150 metros mas do qual eu não sabia nada. Era como um outro continente, um outro planeta.”
Javier Cercas vivia exatamente no lugar onde vive um dos protagonistas, andaram no mesmo colégio, têm a mesma idade. “Se me perguntar se o romance é autobiográfico, respondo que sim, como o Dom Quixote, como todos os romances, não porque conte a minha vida, mas porque inclui sempre parte da experiência do autor. A ficção pura não existe, só acredita nisso quem não sabe o que é a ficção. Todas as personagens de um livro são o escritor. As personagens são, diz Milan Kundera, “possibilidades não realizadas do próprio autor”. Cervantes é dom Quixote, claro, mas também é Sancho Pança e todos os outros. 
O MITO
Foi depois de ter visitado em Barcelona uma exposição sobre o fenômeno dos jovens delinquentes espanhóis dos finais dos anos 1970 e de toda a década de 1980 – os anos da transição da ditadura franquista para a democracia – jovens pobres, sem educação nem esperança, que se organizavam em bandos para traficar e roubar, que Javier Cercas se apercebeu, ao olhar para uma sala cheia de retratos desses rapazes, de que também poderia ter sido um deles. Havia máquinas de flippers, música ambiente da época, toda a sua adolescência estava retratada naquela exposição. “Mas o mais interessante foi que eles se converteram em mitos, os meios de comunicação social converteram-nos em mitos, capturaram a imaginação do país”, conta. “Fizeram-se muitos filmes sobre eles, filmes com muito êxito protagonizados pelos próprios delinquentes. Aquilo transformou-se num mito local, mas ao mesmo tempo era também algo universal, uma variante do mito de Billy the Kid. Foi uma coisa muito intensa, mas muito efêmera.”
O mito, é sabido, mistura verdades e mentiras, e o resultado é sempre uma mentira que, de certa maneira, dá voz à sociedade que o criou. Estes rapazes acabavam por simbolizar as esperanças e os medos que se viviam em Espanha nesses anos, de como era vivida a passagem da ditadura para algo que todos desconheciam, a democracia. Com o romance As Leis da Fronteira o autor não ensaia uma desmitificação dos jovens delinquentes, mas tenta ver o que existe de concreto por detrás desse mito. E o que havia? “Nada”, diz Cercas. E cita Bob Dylan, “quem não tem nada, nada tem a perder”.
romance As Leis da Fronteira centra-se nas relações de três personagens: Zarco, um delinquente que rouba e assalta bancos, Gafitas, o jovem estudante da classe média que se junta ao grupo (e que 40 anos mais tarde, na segunda parte do livro, é um advogado de sucesso que tenta tirar Zarco da prisão), e Tere, a jovem que oscila entre os dois rapazes, misteriosa e bonita. Pode ser lido como uma longa história de amor, dura e romântica, ambígua e contraditória. É a história de um adolescente de classe média que vive na fronteira da cidade, e que a cruza. Descobre que a fronteira não é só física, mas é também moral e simbólica É a fronteira da justiça, das classes sociais, a fronteira entre a adolescência e a vida adulta. A primeira parte do livro evoca o Bildungsroman alemão, o romance de iniciação. O protagonista descobre a vida: o sexo, o amor, a traição e os enganos, a violência e a morte. A segunda parte é a da maturidade, ou aquilo “que se supões ser a maturidade”. Aos 40 e tal anos o passado está de volta e vê-se nele uma possibilidade de salvação. A personagem Gafitas está agora economicamente bem na vida, advogado com sucesso, separou-se da mulher, está só outra vez e pensa que a sua vida talvez tenha sido um equívoco. A vida que leva não é a que queria ter levado, num qualquer momento tomou um caminho errado. O passado regressa na forma da mulher que o fez descobrir o sexo, e volta no momento mais intenso da sua vida. Um passado que ele enterrou, que ele escondeu, mas pensa que é nesse passado que está o equívoco. “É um romance em que toda a gente se engana constantemente”, diz Cercas entre sorrisos. “Como nos enganamos sempre todos na vida.”
Javier Cercas assume a ideia de que o romance é por definição um gênero de gêneros, onde cabe tudo, por isso não espanta que As Leis da Fronteira se pareça de vez em quando com um agitado “thriller” com preocupações existencialistas, um policial negro e duro, um romance de amor ou de iniciação, uma entrevista com preocupações literárias, ou mesmo o esboço de uma biografia. “Não me propus misturar gêneros. O romance é uma espécie de ´cocido´, um prato onde cabe tudo. Se por vezes os meus romances parecem “thrillers” existenciais, como diz, é porque há que procurar uma verdade que tem sempre questões morais, existenciais. Por outro lado, são também “anti-thrillers” porque no fim nunca sabemos quem é o assassino.”
A obscuridade que nos ilumina
Pelo menos desde Soldados de Salamina (ASA, 2002) – considerado por muitos como um dos mais importantes romances espanhóis das últimas décadas – que os livros de Cercas interrogam o leitor a partir de um centro que se vai deslocando ao longo da narrativa. As Leis da Fronteira é um bom exemplo dessa deslocação a que o leitor é obrigado: se durante grande parte do romance é a personagem Gafitas que aparenta carregar todo o peso da narrativa, a partir de determinada altura, e sem que nada mude na arquitetura do enredo, o leitor começa a interrogar-se se não é a rapariga (já mulher, na segunda parte), Tere, quem manobra todas as outras personagens, quem no fundo conduz o romance e é o seu centro. Toda a rede de relações anda à sua volta, ela é a esfinge. Mas Tere é também a que incorpora os dilemas morais do romance, uma personagem trágica. No coração do livro parece haver sempre uma pergunta, e toda a narração mais não é do que um caminho para encontrar a resposta. E no fim do caminho qual é a resposta?
“A resposta é a própria busca, é o próprio livro. Não há uma resposta clara, unívoca. Há respostas sempre ambíguas, contraditórias, e essencialmente irônicas”, confirma Cercas. “O Dom Quixote também funciona assim. É o modelo de todos os romances. A pergunta é se dom Quixote está louco ou não? Todo o livro é uma tentativa de averiguação e no fim acabamos por não saber. É essa obscuridade que nos ilumina, é esse silêncio que torna o romance eloquente. Outro exemplo: em Moby Dick quem é a baleia branca? Porque é que o capitão Ahab está tão obcecado com ela? É o bem? É o mal? É Deus? É o diabo? As respostas não as sabemos. Os meus romances são também assim. Em Soldados de Salamina a pergunta é: porque é que um soldado republicano salva a vida a um fascista em vez de o matar no fuzilamento? E no final não há resposta. A resposta é o próprio livro.”
Os romances não se escrevem para dar respostas, escrevem-se para as fazer da maneira mais complexa possível, parece ser esta a mensagem que Javier Cercas quer deixar aos seus leitores. Daí a importância da ambiguidade no enredo romanesco? “Sem ambiguidade não há literatura. A ambiguidade deve estar no centro do romance.” E por que é fundamental a ambiguidade, a ironia? “Porque esse é o espaço que o escritor oferece ao leitor para que este converta o livro no seu próprio livro. Os livros não existem sem os leitores. São eles que fazem os livros.”
Cada novo livro de Javier Cercas não se parece em nada com nenhum dos anteriores. A tentação de muitos escritores, sobretudo quando corre bem um livro, é repetir a forma, talvez só um pouco alterada. Ou mesmo prosseguir no assunto ou no registo de estilo. Mas há ideias que preocupam um autor e que ele explora uma e outra vez. Como é que Cercas lida com isto? “A ideia de escrever sempre o mesmo livro dá-me medo. De tal maneira que às vezes penso que cada livro que escrevo é o contrário do anterior, que é uma tentativa de o completar. Se um livro é diferente, a maneira de formular a questão tem de ser a mais diferente possível. García Márquez nunca escreveu duas vezes Cem Anos de Solidão, não lhe teria sido difícil. Acabei agora de escrever um livro. Há quem me diga que é o melhor que escrevi. Outros dizem-me que é o melhor que escreverei, o que me preocupa muito (risos).”
MAIS....
LIVRO CONCISO E AMBÍGUO:: "O Tao do qual se pode discorrer não é o eterno Tao."[3] A principal obra do taoismo é oTao Te Ching, um livro conciso e ambíguo que contém os ensinamentos atribuídos a Lao Zi (chinês: 老子, pinyin:LǎoziWade-GilesLao Tzu). Juntamente com os escritos de Zhuangzi, estes textos formam os alicerces filosóficos do taoismo. Este taoismo filosófico, individualista por natureza, não foi institucionalizado."https://pt.wikipedia.org/wiki/Taoismo
MAIS......

http://dx.doi.org/10.4067/S0718-43602013000100012
TESTES

ESCREVENDO ambígua SIMONE DE BEAUVOIR1

A escrita ambígua de Simone de Beauvoir

 

Olga Grau Duhart

Universidad de Chile
ograu_2000@yahoo.com

Resumo: Este artigo é interessante notar a relação entre filosofia e literatura, que pode resultar de escrever Simone de Beauvoir, que faz uma contribuição para a reflexão contemporânea sobre essas relações. A Escritura de Simone de Beauvoir, que de acordo com suas características poderia nomear como 'escrita ambígua "constitui uma oferta e uma tentativa de superar ou exceder os limites em que quer, literatura e filosofia, poderiam ser restringidos para atender a realização de certas características indicadas como pertencentes a esses gêneros discursivos. Eu sugiro que o conceito de "gênero reflexivo" para denotar a peculiaridade da opção de Simone de Beauvoir, que tenta simultânea ou sequencialmente no tempo, gêneros discursivos de ficção, histórias autobiográficas e ensaio escrito assim expressando mais sistemática, sem sistema, sua especulação filosófica constituindo. Este texto é considerado particularmente concepção do romance de Simone de Beauvoir, que dá, em um momento de sua produção, uma preeminência avaliação."
http://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0718-43602013000100012
OUTRAS ANÁLISES:
Prestem atenção, o que estou tentando fazer é trazer questões em um novo despertar de assimilações.
Vou deixar um link para que todos vejam que, dentro de UM, SOMENTE UM, DOS ITENS DE PROGRAMAS DE CONCURSO, temos postulações com posicionamentos diversos de autores diversos, renomados e respeitados em nosso país.
Um CONCURSO QUE NÃO TRÁS REFERÊNCIAS OU INDICAÇÕES PARA MELHOR PREPARO DO CANDIDATO ele possibilita um leque de oportunidades para recursos por posições diversas de autores dentro da Língua Portuguesa, ok?
Não deixem de consultar o LINK:
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/96178/000918864.pdf?sequence=1
POSIÇÕES SOBRE AMBIGUIDADE:
GRAMÁTICOS: É VISTA COMO OCORRÊNCIA DE DUPLICIDADE DE SENTIDOS;
CEGALIA: "É UM DEFEITO DA FRASE QUE APRESENTA DUPLO SENTIDO"
(EU: FRASES SE APRESENTAM EM CONTEXTOS, TEXTOS QUE TRAZEM SENTIDO,SEGUIMENTO,ASSIM ,DENTRO DE UM SEGUIMENTO, MESMOS EM DISPOSIÇÕES "CONFUSAS", A FRASE SERÁ "DECIFRADA");
CEGALLA: CHAMA OS HOMÔNIMOS COMO CAUSA DA AMBIGUIDADE, PALAVRAS QUE TEM A MESMA PRONÚNCIA, AS VEZES A MESMA GRAFIA, MAS SIGNIFICAÇÃO DIFERENTE.
(EU: NINGUÉM, DO NADA VI CHEGAR E GRITAR: SÃO! (SADIO); SÃO (VERBO).OBVIAMENTE, HÁ UM CONTEXTO E SEJA ESCRITO OU VERBAL, A PALAVRA SÃO SERÁ IMEDIATAMENTE IDENTIFICADA, INCLUSIVE QUANTO A CLASSIFICAÇÃO GRAMATICAL. É CONTEXTO O DETERMINANTE.)
ROCHA LIMA: A HOMONÍMIA (VISTA COMO CAUSA DE AMBIGUIDADE POR CEGALLA), É FATOR DE PERTURBAÇÃO DA BOA ESCOLHA DAS PALAVRAS.
BECHARA: AMBIGUIDADE NÃO É VISTO COMO RECURSO DE LINGUAGEM OU COMO ALGO NATURAL DA LÍNGUA.
MARCIA CANÇADO:TODA HOMONÍMIA É UM TIPO DE AMBIGUIDADE, MAS NEM TODA AMBIGUIDADE É HOMONÍMIA.POIS HÁ MAIS FENÔMENOS SEMÂNTICOS QUE CAUSAM AMBIGUIDADE.
Dentro do ITEM AMBIGUIDADE, que chama homonímia e outras classificações, deixo uma observação:
Existem algumas palavras  que possuem a mesma escrita (grafia), mas a pronúncia e o significado são sempre diferentes. Essas palavras são chamadas de homógrafas e são uma subclasse dos homônimos.Observe os exemplos:
almoço (substantivo, nome da refeição)
almoço (forma do verbo almoçar na 1ª pessoa do sing. do tempo presente do modo indicativo)

gosto (substantivo)
gosto (forma do verbo gostar na 1ª pessoa do sing. do tempo presente do modo indicativo)
http://www.soportugues.com.br/secoes/seman/

Finalizo esta matéria com a palavra mágica CONTEXTO.Em linguística, Semântica estuda o significado e a interpretação do significado de uma palavra, de um signo, de uma frase ou de uma expressão em um determinado contexto. Nesse campo de estudo se analisa, também, as mudanças de sentido que ocorrem nas formas linguísticas devido a alguns fatores, tais como tempo e espaço geográfico.
SE VOCÊ ESCREVE OU DIZ: ESTOU INDO AO BANCO. POR QUE DUBIEDADE?
EXISTIU UM ANTECEDENTE DESTA FALA,FRASE OU ESCRITO.
É UMA FRASE SOLTA?
SE FOR, ELA ESTARÁ, TAMBÉM, DENTRO DE UM "CONTEXTO" QUE A ADMITA.
VAI FAZER SENTIDO. 
NINGUÉM É OBRIGADO A CONCORDAR COMIGO, MAS ANALISEM A QUESTÃO DENTRO DAS INFORMAÇÕES.
Ambiguidade Sintática - não é gerada pelas diferentes possibilidades de gerar sentenças?
"Entrou no ônibus andando". Alegação: andando, informação sobre  sujeito do verbo entrou, quanto da palavra ônibus.pág. 09
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/96178/000918864.pdf?sequence=1
(EU: Vamos mudar a posição do VERBO ANDANDO, personagem principal do estudo.
Entrou andando no ônibus.  ///   Andando entrou no ônibus.Mudamos a colocação do verbo, e claramente,verificamos que a clareza da referência do verbo "andando" é em relação ao sujeito (ele/ela).
Veja o que nos lembra essa supressão do pronome pessoal do caso reto:


Quando as crianças começam a estudar, recebem folha com desenhos, casas, bolas, por exemplo, ela é limitada a ver a casa como casa e pintá-la como tal.
Não assimilam para ambiguidades, mas incentivam a criatividade, fantasia, "faz parte" do processo educacional.
Um erro da educação é ensinar as crianças com restrições de uma escrita tradicional, assim o fosse, estaríamos escrevendo em latim.
Vamos ilustrar:
Crianças, quando começam a analisar a questão, gramaticalmente, obviamente a "casa" substantivo, será confrontada com "casa" verbo.Mas, ela nunca desenhou o verbo, ela foi estimulada a correr, e sabia que estava correndo, mas não que aquela ação tinha o nome de correr no mundo dos verbos, contexto verbal gramaticalmente, semântica, o que é isso?
EXEMPLOS, são contestáveis, dentro da questão ambiguidade.
Pare 10 pessoas em praça pública e pergunte o que é Semântica e exemplos.
Ambiguidade tem força em ações da vida das pessoas, os que a aprenderam e apreenderam, sabem usar deste recurso com maestria.
MAIS....
"A ambigüidade estrutural O fato de que as estruturas sintagmáticas não são objetos lineares, como contas em um colar, mas objetos onde há diferentes níveis hierárquicos, ocasiona, por vezes, a geração de estruturas.
Onde um determinado sintagma, embora adjacente linearmente a outro, não esteja, de fato, diretamente ligado a ele. São casos interessantes de ambiguidade ou duplo sentido que consideraremos a seguir. 
Tomemos uma frase como O menino viu o turista com o binóculo. 
Como podemos interpretar esta estrutura? Um dos sentidos é o de que o menino tinha um binóculo e o usou para ver o turista, conforme indicado na figura abaixo. 
O menino viu o turista com o binóculo S.
 O outro sentido é o de que o binóculo pertence ao turista, sendo que o menino não tem binóculo algum, conforme indicado pela próxima figura. 99 
O menino viu o turista com o binóculo D N V D N P D N SN SV SN SN SP SN S.
 Note-se que as duas interpretações são gramaticalmente possíveis, utilizando os mesmos elementos lexicais. Por que então a frase tem duplo sentido? 
Por razões estruturais, é a resposta. Comparemos as estruturas correspondentes a cada interpretação. 
Na figura da página 92, o sintagma preposicional com o binóculo está linearmente ao lado do sintagma nominal o turista, entretanto não está diretamente ligado a ele, mas sim ao sintagma verbal, indicando que o binóculo é um adjunto adverbial, ou seja, um modificador do verbo, uma circunstância que indica o instrumento não obrigatório que pode ser usado com um verbo como ver. 
Já, na figura desta página, o SP com o binóculo está ligado diretamente ao SN cujo núcleo é o N turista, funcionando, portanto, como um adjunto adnominal e não como um adjunto adverbial, como é o caso da representação na página anterior. No final do capítulo, propomos mais alguns casos interessantes de ambiguidades estruturais em português para serem analisados. 
A ambiguidade estrutural é um fenômeno universal, isto é, ocorre em todas as línguas. Se você conhece outras línguas, pode tentar encontrar também nessas línguas construções com ambiguidades sintáticas." 
RETIRADO DA FONTE: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=646-vol15vias04web-pdf&category_slug=documentos-pdf&Itemid=30192


















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